Lucas Benett e a arte de esperançar os dias: uma nova voz na MPB brasileira

Antes de encontrar na música sua forma de expressão, Lucas Benett já carregava uma história que parecia desafiar as possibilidades. Nascido prematuramente em 1989, com apenas 550 gramas, em Eunápolis, no sul da Bahia, cidade vizinha á sua, Porto Seguro, enfrentou os primeiros dias de vida em condições bastante incomuns. Sem uma estrutura neonatal disponível, sua família improvisou uma incubadora dentro de uma caixa de sapato, aquecida por uma lâmpada, a ordem dos médicos era que em hipótese alguma ele ficasse em o aquecimento da lâmpada, pois custaria sua vida. Em uma noite de falta de energia, sua mãe, sua vó e sua tia em desespero encontraram uma solução tão improvável quanto decisiva para manter sua temperatura: o forno de um fogão. Sobrevivente daquela experiência que acabou salvando sua vida, Lucas ficou conhecido na região como “o menino do forno”.

Décadas depois, é com a própria voz que constrói uma trajetória na música brasileira. Cantor, compositor, multi-instrumentista e escritor, o artista vem construindo seu espaço na cena da nova MPB, apresentando uma musicalidade que combina sensibilidade, sofisticação e uma interpretação que cria conexões profundas com o público. Em 2021, lançou seu primeiro EP, Esperançar, que ultrapassou 100 mil reproduções nas plataformas digitais. Mais do que uma escolha estética, a esperança se tornou um elemento central de sua identidade artística, sintetizada pela frase que acompanha seu trabalho: “Canções para esperançar os dias.”

Sua trajetória também se constrói entre diferentes públicos e territórios. Lucas Benett já se apresentou em diversas regiões do Brasil e em cidades de Portugal, Espanha, Itália e França. Nos últimos anos, tem ampliado sua presença especialmente no circuito de casamentos e eventos de alto padrão de Porto Seguro, Trancoso e Arraial d’Ajuda, levando aos palcos uma proposta que transita entre a intimidade do voz e violão, a classe da orquestra e a energia dos shows com banda.

Na música autoral, além do EP Esperançar, lançado em 2021, vieram, em 2025, os singles Celebrar e O Nosso Amor, ampliando o repertório de uma obra que encontra na leveza e na sensibilidade alguns de seus principais fios condutores. Seu lançamento mais recente é uma releitura intimista de Asa Branca, clássico de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, apresentada em formato voz e violão e revisitada por Lucas a partir de uma interpretação que aproxima a canção de sua essência mais afetiva.

Sua música nasce do encontro de diferentes referências: da essência da MPB brasileira ao rock nacional, passando pelo gospel, pelo groove e pela black music. Tudo isso encontra no chão da Bahia uma força particular, marcada pelo suingue, pela alegria e pela capacidade de celebrar a vida sem abrir mão da calma e da contemplação. É dessa mistura de ritmos, influências e estados de espírito que Lucas Benett constrói uma sonoridade própria — brasileira, baiana e, sobretudo, feita para criar conexão.

É no palco, porém, que todas essas referências assumem sua forma mais viva. Seja na intimidade de uma apresentação voz e violão ou na energia de uma banda completa, Lucas Benett constrói shows que transitam entre emoção, leveza e celebração. Sua voz e sua interpretação são frequentemente apontadas pelo público como elementos capazes de criar momentos de profunda conexão, enquanto a banda amplia essa experiência com ritmo, movimento e energia.

No fim, talvez seja justamente essa fusão que defina o artista: a capacidade de emocionar sem deixar de celebrar, de trazer profundidade sem perder a leveza e de transformar diferentes influências em uma experiência que permanece depois que a música termina. Afinal, para Lucas Benett, fazer música é mais do que cantar canções — é encontrar maneiras de esperançar os dias.

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