Anitta mergulha na espiritualidade e na cultura brasileira em ‘EQUILIBRIVM II’

Novo álbum reúne grandes nomes da música nacional e transforma ancestralidade, fé e brasilidade em um dos projetos mais autorais da carreira da cantora

Depois de conquistar o mercado internacional com o pop e o funk, Anitta volta seus olhares para as raízes brasileiras em ‘EQUILIBRIVM II’, álbum lançado nesta quinta-feira (23). O projeto, que sucede o primeiro volume divulgado em abril deste ano, apresenta um lado mais introspectivo da artista ao abordar temas como espiritualidade, ancestralidade, amor, autoconhecimento e identidade cultural. O disco reúne participações de grandes nomes da música brasileira, como Maria Bethânia, Alceu Valença, Mart’nália, MC Tha, Alexandre Carlo e Mestrinho, além de artistas ligados às tradições afro-brasileiras e indígenas.

Mais do que um lançamento musical, ‘EQUILIBRIVM II’ se apresenta como uma obra multimídia. O álbum chega acompanhado por um curta-metragem que traduz visualmente as mensagens presentes nas canções, ampliando a experiência artística proposta pela cantora.

Um retrato da diversidade cultural brasileira

Ao longo das 17 faixas, Anitta percorre diferentes sonoridades que ajudaram a construir a identidade musical do país. Funk, samba, reggae, bossa nova, forró, ijexá, música eletrônica e ritmos afro-brasileiros convivem naturalmente em um repertório que homenageia a pluralidade da cultura nacional.

Essa diversidade também aparece na escolha dos convidados. O disco aproxima artistas de diferentes gerações e estilos, unindo nomes históricos da MPB a representantes da nova música brasileira e de comunidades tradicionais.

Segundo Anitta, cada decisão artística foi pensada para valorizar o Brasil em toda a sua riqueza cultural.

“Me coloquei inteira nesse disco. Quem ouvir vai perceber isso. São músicas que têm muito da minha espiritualidade, da minha visão de mundo, das brasilidades que me encantam e pitadas autobiográficas também. Cada escolha, tanto musical quanto visual, tem intenção aqui. Tenho muito orgulho do que estamos entregando.”

Fé, religiosidade e ancestralidade conduzem a narrativa

Um dos principais diferenciais do álbum é a maneira como aborda a espiritualidade.

As músicas fazem referências ao candomblé, à umbanda, ao sincretismo religioso, às tradições indígenas e à religiosidade popular brasileira, sempre sob a perspectiva do respeito e da valorização dessas manifestações culturais.

Canções como “Ogum Me Rodeia”, gravada com Maria Bethânia e Letícia Fialho, “Feitiço”, ao lado de Mart’nália, e “Contemplação”, com o Grupo Ofá, transformam a fé em elemento central da narrativa musical.

Ao mesmo tempo, faixas como “Eu Não Sou Santa”, em parceria com Mestrinho, homenageiam Nossa Senhora Aparecida, enquanto “OKE” presta tributo aos povos indígenas brasileiros.

Projeto audiovisual amplia a experiência

A proposta artística vai além das plataformas de streaming.

O curta-metragem que acompanha o álbum utiliza elementos do cinema, da dança, da poesia e das artes visuais para construir uma narrativa inspirada nas letras das músicas.

O audiovisual traz referências à obra de Carmen Miranda, às religiões de matriz africana, à natureza brasileira e aos saberes ancestrais, apresentando diferentes versões da própria Anitta ao longo da história.

Segundo a equipe criativa, o objetivo foi transformar o disco em uma experiência sensorial capaz de conectar música, imagem e espiritualidade.

Trabalho marca nova fase artística

Embora continue sendo um dos principais nomes do pop brasileiro, Anitta demonstra em ‘EQUILIBRIVM II’ uma busca por novos caminhos criativos.

Ao incorporar referências históricas, culturais e religiosas à sua música, a cantora amplia seu repertório artístico e apresenta um projeto que dialoga com questões de identidade, pertencimento e diversidade.

O resultado é um álbum que se distancia das fórmulas tradicionais do mercado pop para oferecer uma experiência mais conceitual, aproximando entretenimento e reflexão.

Com produção cuidadosa, participações de peso e uma forte valorização da cultura brasileira, ‘EQUILIBRIVM II’ reforça a versatilidade da artista e consolida uma fase marcada pela experimentação estética e pelo aprofundamento de sua identidade musical.

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